Urgência

Reproduzo aqui o texto da escritora Eliane Brum em que reflete sobre os sentidos de urgência na sociedade contemporânea.

Publicado originalmente na Revista Época, 29/04/2013 (link para o texto original)

É urgente recuperar o sentido de urgência

Nós, que podemos ser acessados por celular ou internet 24 horas, sete dias por semana, estamos vivendo no tempo de quem?

ELIANE BRUM – Uma Duas (LeYa) – e de três livros de reportagem: Coluna Prestes – O avesso da lenda(Artes e Ofícios), A vida que ninguém vê (Arquipélago, Prêmio Jabuti 2007) e O olho da rua – uma repórter em busca da literatura da vida real (Globo).

Dias atrás, Gabriel Prehn Britto, do blog Gabriel quer viajar, tuitou a seguinte frase: “Precisamos redefinir, com urgência, o significado de URGENTE”. (Caixa alta, na internet, é grito.) “Parece que as pessoas perderam a noção do sentido da palavra”, comentou, quando perguntei por que tinha postado esse protesto/desabafo no Twitter. “Urgente não é mais urgente. Não tem mais significado nenhum.” Ele se referia tanto ao urgente usado para anunciar notícias nada urgentes nos sites e nas redes sociais, quanto ao urgente que invade nosso cotidiano, na forma de demanda tanto da vida pessoal quanto da profissional. Depois disso, Gabriel passou a postar uns “tuítes” provocativos, do tipo: “Urgente! Acordei” ou “Urgente: hoje é sexta-feira”.

A provocação é muito precisa. Se há algo que se perdeu nessa época em que a tecnologia tornou possível a todos alcançarem todos, a qualquer tempo, é o conceito de urgência. Vivemos ao mesmo tempo o privilégio e a maldição de experimentarmos uma transformação radical e muito, muito rápida em nosso ser/estar no mundo, com grande impacto na nossa relação com todos os outros. Como tudo o que é novo, é previsível que nos atrapalhemos. E nos lambuzemos um pouco, ou até bastante. Nessa nova configuração, parece necessário resgatarmos alguns conceitos, para que o nosso tempo não seja devorado por banalidades como se fosse matéria ordinária. E talvez o mais urgente desses conceitos seja mesmo o da urgência.

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Estudo Dirigido: Pós-Modernidade

Estudo Dirigido

HARVEY, David. Condição Pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. São Paulo: Edições Loyola, 2004.

Capítulo 3: Pós-Modernidade (p.45-67)
Texto das páginas 45-55.

1.       Você acredita que Harvey se alinha com a noção de uma radical troca de paradigma associado ao termo pós-moderno?

2.       Como Harvey percebe as posições estilísticas de Hassan entre modernismo e pós-modernismo?

3.       Como os pensadores contemporâneos acolhem a fragmentação e a efemeridade? Qual a diferença estabelecida neste sentido em relação ao pensamento de Baudelaire sobre a modernidade?

4.       Qual a via que Foucault enxerga como forma de se opor à racionalidade técnica-represssiva?

5.       Como Lyotard circunscreve o sujeito social em meio aos jogos de linguagem? Qual a consequência de tal quadro?

6.       Qual o ponto comum entre Foucault e Lyotard?

7.       Qual o outro termo associado a “determinismos locais”? O que estes termos significam?

8.       Como os pensadores pós-modernos acolhem as novas possibilidades de informação e produção? Como as condições técnicas e sociais influenciam o pensamento de Lyotard quanto a uma mudança ocorrida no modernismo?

9.       Como a vida cultural é percebida pelos desconstrucionistas? Qual o “impulso desconstrucionista”? O que Derrida considera como modalidade primária de discurso pós-moderno e como se dá a interpretação desta modalidade?

10.   Como os “pós-modernos” reagem a uma representação totalitária do mundo?

Video: Le Portefeuille (a carteira)

O sujeito contemporâneo é um todo coeso e unificado ou as situações e diferentes identidades contraditórias se sobrepõem definindo um sujeito fragmentado e descentrado?

A animação abaixo ajuda a refletir sobre a discussão:

Le Portefeuille
Direção e Concepção:  Vincent Bierrewaerts
2003

Animação
10 minutos 20
35 mm
1,66
Cor
Dolby SR
Ficha técnica do filme